agnt não quer só comida
Food Female: mais que um momento, um movimento ♀
há 2 meses • Por Foodpass

As mulheres ganham, em média, 77% dos salários dos homens. Se continuarmos assim a igualdade salarial será atingida somente em 2086. 800 MM ou 41% das mulheres não têm proteção adequada durante a maternidade. Apenas 50% das mulheres com idade para trabalhar participam da força de trabalho, os homens são 77%. As mulheres recebem muito menos investimento, mas apresentam melhores receitas no mercado.


A cozinha é a porta ao empreendedorismo no Brasil e, sem dúvidas, ferramenta de empoderamento e liberdade financeira de muitas mulheres. Empoderamento significa comprometimento pela luta e pela equidade e equidade é dar oportunidades iguais, dar o que cada um necessita para expressar sua melhor versão.


A principal missão do Food Female foi colocar as mulheres como sujeitos ativos de mudanças, através da visibilidade #botaelasnopalco. Nadamos contra a maré, reconstruímos paradigmas, desafiamos status quo e alimentamos as pessoas de ideias - a comida é a língua que todos falamos, que conecta as pessoas.




O encontro é uma proposta para que todxs tenham o direito de ser, estar, fazer, dizer, amar, trabalhar e viver igual, mostrando a importância das mulheres se conectarem, fazerem negócios com outras mulheres, ensinarem, aprenderem e trocarem.




Agradecemos à todxs que fizeram (e fazem) parte desse movimento com a gente. Nós mulheres temos um papel muito importante dentro da cadeia do alimento e depois desse dia temos uma certeza: estamos juntas nessa luta!


"Eu sozinha ando bem, mas com vocês vou muito melhor".


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Algumas dessas mulheres inspiradoras compartilharam com a gente suas histórias, pensamentos, lutas e as desafios de ser mulher dentro da cadeia do alimento. Confira:

Pati Abbondanza (FoodLab e Dedo de Moça) - @foodlab.online


1. Cite 3 mulheres que te inspiram na sua vida profissional: Rita Lobo, pela qualidade do conteúdo que faz. Marie Forleo, pelo poder de comunicação. Juliana Motter, pela paixão.

2. Qual #delíriogastronômico te conecta com seu feminino? Juntar as pessoas que eu amo para cozinhar!

3. Um aprendizado para toda vida? É no momento de dificuldade que a gente aprende as mais valiosas lições, por isso hoje olho para o "perrengue" de um jeito mais positivo.

4. Qual foi o maior desafio de trabalhar na cadeia do alimento sendo mulher? Encontrar um modelo de negócio que fosse de encontro ao meu propósito, e ao mesmo tempo "coubesse" na minha vida de mãe de dois filhos.

5. Já esteve em alguma situação constrangedora no ambiente de trabalho por ser mulher? Já sofreu assédio sexual ou abuso de poder? Na época de estágio em restaurante eu percebia um olhar de desconfiança dos homens na cozinha ( um tipo "será que essa menina dá conta?").

6. Uma mensagem para inspirar quem está começando? Saber o que te move e aonde quer chegar. É como colocar no GPS o ponto de partida e o destino, sabe? Porque se tiver paixão e perseverança, você descobre o caminho. Afinal, não tem fórmula!


Camila Dutra (Feito com Amor) - @feitocom.amor


1. Cite 3 mulheres que te inspiram na sua vida profissional: Minha mãe. Uma mulher guerreira que sempre trabalhou fora (ainda trabalha), e sempre deu conta de tudo: trabalho, casa, família, filhos.... Paola Carosella. Admiro em todos os sentidos. Não a conheço pessoalmente, mas me inspiro em sua história profissional. Adoro a maneira com que se posiciona e defende o que acredita. Simone Izumi. Tenho o prazer de conviver com ela. Empreendedora nata, generosa e criativa.

2. Qual #deliriogastronômico te conecta com seu feminino? Ahhh...comfort food! O feminino é materno, sensível e tem tudo a ver com o despertar de emoções que só uma comidinha afetiva é capaz de proporcionar.

3. Um aprendizado para toda vida? Dê valor à sua voz interior e não menospreze os seus sentimentos. Quando passei a me conhecer melhor me senti mais segura em relação a tudo que me rodeia. Hoje sou mais gentil comigo mesma e lido melhor com os meus fracassos.

4. Qual foi o maior desafio de trabalhar na cadeia do alimento sendo mulher? O maior desafio é o de exercer, diariamente, vários papéis diferentes. Conciliar a vida profissional de quem trabalha por conta própria com todas as responsabilidades inerentes à mulher: casa, filhos, marido, funcionária, empresa...É um exercício diário que exige organização do tempo para que eu possa cuidar do meu bem estar também.

5. Já esteve em alguma situação constrangedora no ambiente de trabalho por ser mulher? Já sofreu assédio sexual ou abuso de poder? Já estive em várias situações constrangedoras no ambiente corporativo mas em nenhum momento as justifiquei ou me senti fragilizada pelo fato de ser mulher. Já fui assediada no trabalho, bem como fora dele.

6. Uma mensagem para inspirar quem está começando? Encontre a sua verdade e entregue o melhor de si, sempre. Invista na sua capacitação, seja paciente e focado mas não ignore os sinais do mercado.


Manu Ferraz (A Baianeira) - @abaianeira


1. Cite 3 mulheres que te inspiram na sua vida profissional: Roberta Sudbrack, Gabriela Barreto e "mainha".

2. Qual #deliriogastronômico te conecta com seu feminino? Vatapá - desde o modo de fazer até o compartilhar.

3. Um aprendizado para toda vida? Nunca serei maior que minha arte.

4. Qual foi o maior desafio de trabalhar na cadeia do alimento sendo mulher? Sempre ter que fazer além para ser percebido.

5. Já esteve em alguma situação constrangedora no ambiente de trabalho por ser mulher? Já sofreu assédio sexual ou abuso de poder? Meu foco sempre me preservar diante da menor percepção de alguma situação constrangedora. Sempre usei qualquer indício de assédio contra o próprio assediador: "eu grito"! Mas é inquestionável e triste admitir que existe este abuso nesse mundo predominantemente machista.

6. Uma mensagem para inspirar quem está começando? Comece por você, entendendo qual é a sua verdade. Não existe só uma direção, só um modelo de negócio, só um seguir… construa!


Rafa Gontijo (NUU Pão de Queijo) - @rafa_gontijo


1. Cite 3 mulheres que te inspiram na sua vida profissional: Marina Andreazi: fundadora da Xuá, Andrea Bisker: Stylus e Barbara Soalheiro: Mesa e Cadeira

2. Qual #deliriogastronômico te conecta com seu feminino? Comida mineira da fazenda dos meus pais, fogão a lenha, arroz, tutu, frango caipira e mandioca. Goiabada cascão de sobremesa, claro!

3. Um aprendizado para toda vida? Conecte-se com o seu propósito. Ele pode mudar, pode evoluir, mas todos temos um propósito hoje. É ele que vai te dar sustentação nas suas manhãs de segunda, vai guiar suas decisões no trabalho e impulsionar seu negócio.

4. Qual foi o maior desafio de trabalhar na cadeia do alimento sendo mulher? Existe um choque grande entre a nossa proposta enquanto NUU, uma empresa de mulheres, e a mentalidade dos compradores das grandes redes ou fornecedores de mercados tradicionais como logística, fábrica, supply. Nosso desafio é passar por cima de um preconceito enraizado, milenar, para mostrar os nossos diferenciais.

5. Já esteve em alguma situação constrangedora no ambiente de trabalho por ser mulher? Já sofreu assédio sexual ou abuso de poder? Já perdi a conta de quantas vezes me perguntaram se eu era Degustadora, Promotora ou Vendedora da marca. Quando eu dizia que era dona, o olhar mudava e o interesse também. Sofri abuso de poder com um possível parceiro nosso em distribuição, após diversas reuniões ele me enviou uma mensagem dizendo que para fechar o acordo eu deveria aceitar sair para jantar com ele. Assédios são diários, nas brincadeirinhas que ninguém mais acha graça, só mesmo quem a faz.

6. Uma mensagem para inspirar quem está começando? O mercado de Alimentos e Bebidas está carente, de gente, de inspiração, de propósito. Existem investidores atentos para essa área, consumidores pedindo por novos produtos da pequena indústria e um varejo querendo ocupar as prateleiras dos supermercados com produtos saudáveis e clean label. O momento de empreender em A&B é agora. 


Érica Araium (Diálogos Comestíveis) - @araium


1. Cite 3 mulheres que te inspiram na sua vida profissional:  É injusto destacar uma ou outra pessoas num apanhando de eleitas para toda uma carreira. Por isso, considero, sempre, meu contexto atual e as pretensões de meus olhares e estratégias. Se pensar em branding e narrativas de marca, tenho Patrícia Weiss e Eliane El Badouy como nortes das searas que vou dominar um dia. Se pensar em fortalezas afetivas, junto à gastronomia, prefiro legar a Alice Waters, a Sylvia Earle e a Rachel Carson meus louros. Essas me inspiraram a pensar de forma multidisciplinar e a investigar as relações entre o comer, o coproduzir e o sustentar.

2. Qual #delíriogastronômico te conecta com seu feminino? Todo bocado que me leve a pensar no alimento de um jeito nunca pensado antes. Um jantar, por si só, não me fisga. O delírio em si, sim. Formas, cores, texturas, aromas e tudo que me faça ponderar sobre o design, a jornada do usuário e a experiência que podemos criar juntos me interessam.

3. Um aprendizado para toda vida? Ouça, se quiser dialogar. E lembre-se de que marca é o que os outros dizem sobre você quando você não está - e tudo o que tocar dirá sobre você. Seja verdadeiro ao contar histórias e afetivo ao entregá-las. O valor percebido será muito maior toda vez que a verdade for evidente em cada gesto.

4. Qual foi o maior desafio de trabalhar na cadeia do alimento sendo mulher? A cadeia do alimento é feita de pessoas e, invariavelmente, as guardiãs de sabores e saberes são as mulheres. Sinto que tenho a missão de salvaguardar as narrativas que colecionei ao longo da última década e informar uma multidão de leitores comensais. Como jornalista, num contexto ominichannel e uberconectado, sei que preciso produzir conteúdo relevante e entregá-lo de uma maneira pouco intrusiva para que nem precise disputar pela atenção e pelo tempo do outro. Informar sobre a cadeia do alimento, de maneira assertiva, num contexto patriarcal e repleto de interesses velados, onde os representantes são, em maioria, homens, é ainda pleitear por direito de voz. Se preciso, grito - para dar voz ao coro que endosso.

5. Já esteve em alguma situação constrangedora no ambiente de trabalho por ser mulher? Já sofreu assédio sexual ou abuso de poder? O assédio moral e as "brincadeiras" (que nunca são brincantes) em torno do cortejar foram e são comuns. Sempre defini os limites e os contornos do meu sorriso. A graça de ser resistente é ser resistência. Por sorte, aprendi que o intelecto conquista os espaços e constrange qualquer intento fora de ordem ou questão.

6. Uma mensagem para inspirar quem está começando? Se sumir por fazer planos e colecionar intentos, diga a quem perguntar "por onde ela anda"?: - semeando amanhãs.


#foodpass #foodfemale #empreendedorismofeminino #botaelasnopalco

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